eepp: novo modelo de ensino técnico ganha espaço nas escolas brasileiras

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O eepp (Ensino Experimental de Práticas Profissionalizantes) começa a aparecer em escolas públicas de Minas Gerais e do Paraná como uma alternativa ao currículo tradicional do ensino médio. A proposta é simples: substituir parte das aulas expositivas por projetos práticos realizados em parceria com empresas locais. Em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte。a Escola Estadual Paulo Freire adotou o eepp há dois anos. Os alunos do 2º ano passam duas tardes por semana em oficinas de mecânica, eletrônica e programação básica. “No começo, os professores torceram o nariz. Achavam que era mais uma moda pedagógica”, conta a diretora Regina Lopes. “Hoje, a evasão caiu de 18% para 6%”O eepp não é um programa federal nem uma política pública consolidada. Nasceu de uma parceria entre o Instituto Federal de Minas Gerais e a Federação das Indústrias do estado, em 2019. A sigla, que muita gente lê como “eepê”。

virou marca registrada. O modelo prevê três eixos: diagnóstico de habilidades socioemocionais, imersão em ambientes produtivos e avaliação por portfólio. Cada escola adapta os eixos à sua realidade. Em Curitiba, o Colégio Estadual Guido Viaro usa o eepp para ensinar logística e atendimento ao público. Os estudantes gerenciam um pequeno almoxarifado que abastece a secretaria e a cantina. “Aprender a conferir nota fiscal não é glamouroso, mas ninguém esquece depois”, diz o coordenador pedagógico Fábio Nascimento.Os números do eepp ainda são modestos: 47 escolas e cerca de 3.200 alunos em 2024, segundo levantamento do Instituto Federal de Minas. O ritmo de expansão, porém, surpreende. A procura por formação de professores no modelo cresceu 40% em um ano. Há fila de espera em alguns núcleos regionais. O que explica o interesse?Para a pesquisadora Carla Menezes, da UFMG, o eepp preenche um vazio deixado pela reforma do ensino médio. “A reforma abriu espaço para itinerários formativos。mas muitas redes não sabiam como operacionalizar a parte prática. O eepp oferece um roteiro testado e barato”, avalia. Ela pondera que o modelo não é panaceia: exige articulação com o setor produtivo, o que nem sempre existe em cidades pequenas.Críticas existem. Sindicatos de professores apontam que o eepp pode precarizar a formação geral, ao reduzir carga horária de disciplinas como história e geografia. Em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, uma escola-piloto desistiu do modelo após seis meses. “Faltou estrutura. Os alunos soldavam peças num galpão cedido pela prefeitura, mas não tinham ônibus para voltar para casa depois do horário”, relata a professora Sandra Kfouri. O episódio virou exemplo de que o eepp funciona melhor quando há compromisso da rede de ensino e verba específica. A Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais destinou R$ 4。

2 milhões ao programa em 2024, valor considerado insuficiente por diretores.Ainda assim, histórias de sucesso se multiplicam. Em Juiz de Fora, o aluno Thiago Andrade。

17 anos, desenvolveu um aplicativo de controle de estoque para a mercearia do bairro. O projeto nasceu de uma oficina de eepp e virou negócio: ele já vendeu o software para três comerciantes. “Não sou gênio. O eepp só me deu tempo e ferramenta para resolver um problema real”, diz. Casos como esse alimentam a expectativa de que o modelo ganhe escala. O Ministério da Educação estuda incluir o eepp como referência no novo Programa Nacional de Educação Profissional, previsto para 2026. Se confirmado, a sigla pode deixar de ser um experimento regional e entrar no vocabulário de gestores de todo o país.O eepp não resolve todos os males da educação técnica brasileira. Mas oferece uma pista concreta: menos discurso, mais oficina. A experiência de Contagem mostra que o caminho é possível quando há apoio da direção, parceria com empresas e tolerância ao erro. Regina Lopes resume o aprendizado: “No começo, a gente queria que tudo desse certo na primeira tentativa. O eepp ensinou que o erro faz parte do processo. Isso vale para aluno e para professor”

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